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Demetrios Galvão e os corpos-siderais

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Demetrios Galvão, nasceu e vive na cidade de Teresina/PI. É poeta, editor e professor. Autor dos livros de poemas Fractais Semióticos (2005), Insólito (2011), Bifurcações (2014), O Avesso da Lâmpada (2017) e do objeto poético Capsular (2015). Em 2005 lançou o CD de poemas Um Pandemônio Léxico no Arquipélago Parabólico. Participou do coletivo poético Academia Onírica e foi um dos editores do blog Poesia Tarja Preta (2010-2012) e da AO-Revista (2011-2012). Atualmente é um dos editores da revista Acrobata.


reabitar 2
a esperança desafia a gravidade e levanta os mortos
reanima os segredos da casa com o toque do invisível
perturbamos os domínios da morte com nossa felicidade.

expansão do átomo
mamífero amplificado tenciona oscilações envia sinais duvidosos
um sentimento improvável veste o animal com lágrimas e o núcleo do átomo se expande.

som refugiado
arranca com a boca o silêncio do corpo
pronuncia o som refugiado
liberta a divergência da musculatura
a energia que multiplica a vida.

caos calmo
a…

hélio oiticica: um pouco de poesia

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Hélio Oiticica é um artista experimentalista, inovador e fortemente ligado ao conceito de arte como instrumento de provocação e transformação do estado de coisas. De acordo com o crítico Celso Favareto, “é possível identificar duas fases na obra de Oiticica: uma mais visual, que tem início em 1954 na arte concreta e vai até a formulação dos Bólides, em 1963, e outra sensorial, que segue até 1980.” Para além do conhecido Parangolé e de toda sua obra performática, sua escultura e sua pintura, Oiticica teve uma breve, mas não menos inovadora e instigante, produção poética. Caçados por aí, seguem os três poemas e uma breve coleção de imagens de suas principais obras visuais.



O fiar,

fazer-se (desfazer-se),
a implicação da memória,
lembrança,

o esquecimento ou o não esquecer,
persistência do passado,
futuro,
a violência do agora,
sempre ser,

Oh!

O que? ,
o sempre,
o nada,
o fogo.





O cheiro,

tato novo,
recomeçar dos sentidos,
absorção
lembrança,

Oh!

virá o que
fazer-se-á,
virá a ser
será
punhado de fut…

casé lontra marques: cinco poemas escolhidos

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Casé Lontra Marques nasceu em 1985, em Volta Redonda (RJ). Vive em Vitória (ES), onde cresceu. Publicou Desde o medo já é tarde, O que se cala não nos cura e Enquanto perder for habitar com exatidão, entre outros livros.



Para estancar a letargia
A rebelião nos regenera, desengessando o pulso do sal sobre uma cicatriz arboreamente insaciável; nos ossos, os olhos do vento — que se aninha (sem nódulos, sem enigmas) onde mais lateja: para estancar a letargia, tecemos — entre frestas — um ato cujo embrião prospera em ambiente áspero.



Ficar onde faz barulho
Ficar onde faz barulho, no nervo do desentendimento — a boca encharcada de dentes, interrogando uma exaustão: a mancha no caminho da saliva e o diafragma afundado querem (hoje querem) exigir um corpo para outra pele.

três poemas de Rodrigo Novaes de Almeida

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Rodrigo Novaes de Almeida (Rio de Janeiro, 1976) é escritor, jornalista e editor, com passagens pelas editoras Apicuri, Saraiva, Ibep e Ática. Atualmente, é editor na Estação Liberdade. Autor dos livros Das pequenas corrupções cotidianas que nos levam à barbárie e outros contos (Editora Patuá, 2018) Carnebruta (Contos, Editora Apicuri e Editora Oito e Meio, 2012), A construção da paisagem (Crônicas, 2012), Rapsódias — Primeiras histórias breves (Contos, 2009) e a ficção A saga de Lucifere (The Trinity Sessions — Cowboy Junkies, Ed. Mojo Books, 2009). É fundador e editor-chefe da Revista Gueto e do selo Gueto Editorial, projetos de divulgação de literatura em língua portuguesa e celeiro de novos autores. E-mail para contato: rnalmeida76@gmail.com



Sobre o que sonham monóceros?


Porque monóceros sonham que nós existimos
— seres pequeninos dormindo sobre uma pedra sonhando
que nós existimos —,
então, nós existimos.
Nós e pedras,
desgarrados dos cursos das águas,
às margens de rios.
Nós e p…

Joan Brossa e o poema objeto

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Joan Brossa, nasceu em 19 de janeiro de 1919 e faleceu em 30 de dezembro de 1998. Foi um poeta de vanguarda que fez experimentos incríveis com a poesia visual e com os chamados poemas-objeto. Brossa conquistou a Medalha de ouro para as Belas Artes em 1995 e em alguns meios é considerado o criador da poesia visual. A obra de Brossa pode ser definida como "a expressão de um mundo poético através do código visual". A edição da poesia avulsa selecionou algumas imagens que, talvez, expressem em linhas gerais, um pouco do que foi a produção desse poeta, dramaturgo, artista plástico e designer gráfico, sem dúvida um dos máximos expoentes da vanguarda artística catalã da segunda metade do século XX.

Poema Objeto (1967)


















Poema visual (1988)




Resenha: As palavras me escrevem de Hildeberto Barbosa Filho

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Por David de Medeiros Leite

Concluo a leitura do livro As palavras me escrevem (Ed. Mondrongo, 2019), de Hildeberto Barbosa Filho; ato contínuo, releio-o. Vou ao prefácio, da professora Sandra Luna, e recorro ao texto das “orelhas”, de Gustavo Felicíssimo. Ambos bons, analíticos e ilustrativos. Porém, algo de inquietação permanece em mim. Ah, já sei: preciso comentar com alguém, emulando impressões. Por outro lado, ocorre-me a ideia de resenhar a obra. Tergiverso. O receio, de não a traduzir em poucos parágrafos, pesa na balança da insegurança. Dou de ombros. Reafirmo, para mim mesmo: Hildeberto é para ser lido e comentado. Até mesmo porque não creio que alguém o leia e permaneça incólume. Detalhe: isso serve para quem é afeito, ou não, às lides poéticas. Hildeberto Barbosa Filho, de forma despretensiosa, escreve para ambos os públicos. Desejam provas? Provas os dou: “O poema/ é planície,/ pastoral das letras.// Só me serve à dor/ de estar vivo/ para amar a morte/ como única metáfora.”…