Adriane Garcia: Poemas de Quase Amor


Adriane Garcia, poeta nascida e residente em Belo Horizonte/MG. É leitora, funcionária pública, formada em História, Teatro e Arte-educação. Colabora no site Escritoras Suicidas, Zona da Palavra e Literaturabr. Já publicou no Rascunho, Germina, Eutomia, Vox, Cult, Vida Secreta, Vossa Senhoria e caderno Pensar do Jornal Estado de Minas. Em 2013 venceu o concurso nacional de literatura do Paraná, Helena Kolody, categoria poesia, com o livro Fábulas para adulto perder o sono, que terá sua segunda edição pela editora Confraria do Vento. Em 2014, publicou O nome do mundo, pela editora Armazém da Cultura e em 2015, Só, com peixes, pela Confraria do Vento. Em 2016 participou da Coleção Leve um Livro, com Embrulhado para viagem. Tem online, pela Revista Vida Secreta, o e-book Enlouquecer é ganhar mil pássaros. Os poemas desta edição foram escolhidos pela autora especialmente para a revista POESIA AVULSA. 




Na plenitude do bicho


Agora que estou bicho feliz
Somente estou
Respiro: inspiro, expiro e
Nem percebo
Se tenho ou não caixa torácica
Quebrada

Deito-me
É você que vem
(bicho também)
E cata-me, fêmea
E não gente
Essa coisa de coração
Ferido.


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Adoração


Fale-me de suas coisas
De suas coisinhas
Manias que só nos irritam
No fim
Fale-me agora
Quando tudo é lindo
E parece feito de sonho
Fale-me que é possível
Conservar a Santidade
Do Altar do Início.


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Água com sal


Escorrem de mim muito fáceis
São olhos-fonte
Olhos-nascente
Olhos de sol poente
Olhos com seu nome.


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Por merecimento


Não mereces hoje voltar para casa
Tampouco estar aqui mereces
Mereces um copo de amnésia
Ou de cicuta
Tu que só fazes perguntas
E nada respondes
Tu que não és, definitivamente
A resposta
Não vais ao oráculo:
Antes mesmo do enigma posto
Pedirei que sejas devorado.


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Antagônico


Ah, largue meu coração
Vampiro
Chupe meu sangue, não

Solte meu coração
Lobisomem
Já bala de prata me atravessa

Bruxas, no caldeirão
Tem bastante fel
Devolva!
Todo Mal quer este bicho
Que sofre

Botem aqui no meu peito
O anêmico
Antigo
Desbotado rosa.

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A poeta Adriane Garcia
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A Revista POESIA AVULSA é editada e organizada pelo poeta André Merez [+ informações ] 

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