Seis Poemas Inéditos de Leandro Rodrigues



Leandro Rodrigues, nasceu em 1976 em Osasco -SP, onde reside. Formado em Letras - Pós-Graduado em Literatura Contemporânea, é Professor de Literatura e Língua Portuguesa. Lançou em 2016 o seu 1º livro: Aprendizagem Cinza pela Editora Patuá. Em 2017 participou do Jornal de Literatura  O Casulo Nº 11 e 12 e da coletânea Hiperconexões, organizado por Luiz Brás para a Editora Patuá com 5 poemas. Também é autor do blog: nauseaconcreta.blogspot.com.br,  e um dos autores da Revista Zona Da Palavra. Possui poemas em diversos sites, revistas literárias e jornais como:  Jornal de Poesia, Zunái, Germina, Mallamargens, Cult, Poesia Iberoamericana, Revista 7 Faces, Musa Rara, Portal Vermelho, Literaturabr, Banquete Poético, SérieAlfa (Espanha), InComunidade (Portugal), Blocos Online, Revista Alagunas, Diversos e Afins, Correio Braziliense, O Novelo etc






ANTIFÁBULA


Cavas com as mãos 
úmidas pedras do aquário
Limbos profundos onde peixes se encantam 
com suas próprias sombras

Cores escorrem neutras entre os dedos

Não verificas o precipício da tarde guardada. 



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PUNTOS-DE-CRUZ


a casa que sangra
tem portas de tricô
veias semi-abertas
que se alternam
em pálidas quarentenas 
(puntos-de-cruz)

das janelas 
espáduas comiseradas 
se deitam 
com óculos espessos
rascunhos, mágoas 
tão profundas 
sombras de móveis 
anônimos

dupla ponta desfiada

alto-relevo moldado

linhas - canções de infância

em desdobradas chamas.


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NÓS


Ruas estreitas vão dar num estranho silêncio
Bifurcações anônimas do medo atado
Esquálidas sombras calcadas no chão
Disformes rios de esgoto que batem nas sacadas de claustros
Dos antigos prédios torturados do centro
Homens farejam mortos com focinhos de papel
Cobertas estendidas sobre a nossa miséria se agitam
Pelos furos avistamos as estrelas
Nas pedras que estão em todos os caminhos possíveis
Sustentamos com estacas a magreza 
do que ainda não nasceu.


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PONTO FINAL


No fim dos tempos
Um poema 
valerá mais que um banco.



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MÚSICA


Troco as velhas cordas 
do instrumento
por outras mais novas

Depois estico
As mesmas velhas cordas 
lá fora -
de um lado a outro
- Um longo varal...

Agora o vento é que as toca.




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SEMINAL


afundo as mãos nesse aquário
de algas soltas e pedras lisas - afio
sombras dos peixes   q    envolvem
palavras tão finas despidas
espinhas/ escamas
brânquias/ traquéias
de noites insolúveis vertidas, 
saqueadas pelo silêncio 

súbito, deito-me quieto: 
teu ventre, vencido.






O poeta Leandro Rodrigues 
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A Revista POESIA AVULSA é editada e organizada pelo poeta André Merez [+ informações ] 


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Comentários

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