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Mostrando postagens de Agosto, 2017

Jussara Resende: Um Conto Sobre Folhagens, Goiaba e Feijão

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Jussara Resende (Brasília, 1969). É graduada em jornalismo e direito, atuando profissionalmente na área jurídica, com produção de textos técnicos. É no momento de lazer, entretanto, que sua escrita encontra sua melhor face: ensaios, poemas e contos que a autora divulga em seu perfil no Facebook. Escritora amadora, com algumas publicações em revistas literárias digitais. 


Sobre folhagens, goiaba e feijão

Pulam milhos na panela e, da janela, olhos à espreita. Pois que vieram todos antes do grito, hipnotizados pelo cheiro. Também, onde já se viu comer pipoca escondido? Impossível. Essa arte não se apronta. E nem se deseja, já que bom mesmo é ver a criançada fazendo a festa. Mãos brigando pelo espaço na tigela. Bocas cheias. Vez ou outra, uma branquinha escapa pelo chão. Pega logo, menino, que vitamina S também é bom. Pecado mesmo é passar fome. Cá na roça não tem doutor. Mas tem mesa farta, servida com amor. Como tem larva na folhagem, bicho na goiaba e caruncho no feijão, não vai ser suj…

Carla Carbatti e os Silêncios da Luz

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A poeta Carla Carbatti é doutoranda em Estudos da Literatura e da Cultura pela Universidade de Santiago de Compostela (USC). Possui textos poéticos, ensaísticos e resenhas publicados em várias revistas digitais, em zines, jornais e antologias. É autora do livro de poesia ‘Na cadência do caos’ editado pela urutau, 2016. 


toda cicatriz é o corpo de um encontro

porque sua voz tem a inclinação dos trigais
o território das minhas mãos
é o exercício dessa manhã vagarosa
dando sopro ao lilás das flores
ainda sem nome, ainda sem forma
somente as vibrações térmicas
da música das mãos com a terra

há muitas possibilidades de atravessar esse movimento
um poema
uma dança
um silêncio

nos perderemos, provavelmente, na geometria de uma pétala
na genealogia dos orvalhos
nas disritmias de um mapa multitudinário
pois

todo mergulho cava na pele janelas para o abismo
e toda cicatriz é corpo de um encontro


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lost mapping

um dia inteiro com um rio
nas costas

:pausa para um tempo não pulsado:

patas de cavalos lum…

Resenha: Afronta Fronteiras de Lucas Bronzatto

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O poeta mídia-ninja

Lembro de quando conheci o Lucas Bronzatto, lá em 2013. O furor das manifestações tinha acabado de passar e levado um pouco de nós todos, como se uma carruagem infernal tivesse nos atropelado e arrebatado parte de nossa alma. Sujeito simpático e com sotaque político lá de São Paulo, volta e meia encontrava o Lucas nos saraus do Rio. Vê-lo lendo seus poemas em público era uma espécie de epifanía. Poeta combativo, ao falar seus poemas punha tudo de si, exorcizava seus políticos corruptos e problemas sociais. Era um processo de purificação, de catarse. O Lucas tremia da cabeça aos pés de raiva. Lembro que os papéis onde levava seus poemas escritos farfalhavam nas mãos dele, como folhas secas de outono e não sei como ele conseguia ler aqueles papéis que cada vez ficavam mais amarrotados, imitando a própria alma dele. Vai ver ele tinha os poemas decorados e olhava para o papel buscando consolo para a terrível realidade que se abria diante dele. Assim como o gato que vomi…

Resenha: Vi e/ou Vi que o Vento é Aqui de Virginia Finzetto

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Lançado pela Scenarium em uma bela edição artesanal, o livro de poemas de Virgínia Finzetto “Vi e/ou Vi que o vento é aqui” tem a feição de uma poesia que nasce madura. Uma coletânea de poemas que se fortaleceram antes de se darem à leitura, fruto do trabalho de uma poeta que se sabe tardia ou se quis tardia (em livro) talvez por um senso crítico axacerbado, ou por mera falta de vontade de publicar, mesmo. Tudo em Virgínia parece ser assim, espontâneo. Quem a conhece pessoalmente (e eu tenho esse prazer) sabe bem disso. Arrisco dizer que sua poesia é despojada, livre mesmo de procurar feições, estas ou aquelas, que possam atender qualquer escola que se insinue como ‘o caminho dos novos’, mas nem por isso deixa de ser nova.
Ao entrar no livro depara-se com o ‘eu’ da voz poética criada por Virgínia na primeira parte intitulada ‘Tudo Eu’. Um eu cheio de ímpeto e de atitude, de modo que poesia e poeta se lançam < quem não quiser que fique no parapeito, eu vou é voar >. Aprender com a…

Vasco Cavalcante: Reverso dos Dias

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Vasco Cavalcante nasceu em Belém do Pará. Foi um dos fundadores do grupo de poesia alternativa Fundo de Gaveta (1981-1983). Tem poemas publicados nas revistas: “ZUNÁI - Revista de poesia & debates”, “Mallarmargens”, “Escamandro” e “Polichinello”. Em 2012 participou da plaquete, "Desvio para o vermelho: treze poetas brasileiros contemporâneos" (CCSP); Em 2015 teve seu livro de poemas "Sob Silêncio" publicado pela Editora Patuá, de São Paulo. Em março de 2016, é publicado um artigo, no Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea, da UFRJ, sobre seu livro "Sob Silêncio", escrito pelo poeta Paulo Nunes e a jornalista Vânia Torres. Os poemas abaixo foram selecionados especialmente para a revista POESIA AVULSA E fazem parte de seu novo livro “Reverso dos dias”, com lançamento marcado para o dia 14 de setembro na Fox Livraria no Belém do Pará. (+ informações)





vozes,


bradamnosilêncio


resgatam,crivam todosossentidos, rompemainércia inócuadapalavra

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