Cinco Poemas de Roger Willian

Nascido em Ribeirão Pires, em 1986, Roger Willian se enveredou por todo tipo de arte. Fez curso de desenho, teve bandas de garagem, estudou história da arte, formou-se em design gráfico e trabalhou em instituições culturais. Atualmente, além de se dedicar ao estudo das Ciências Sociais, está vivenciando a passagem da experiência de leitor compulsivo a aventura de se tornar escritor impulsivo. Recentemente lançou seu primeiro livro de poesia, Pirilampo pela editora Algaroba.


Manhã Beatnik

ecoa, ecoa e ecoa
cômodo pelos cômodos
de nossa casa cor de Sol nascente
Ressoa suave
a Voz, viola e gaita de Bob Dylan
orquestra de um homem
A Aurora entra
atrevida
descansa sobre os lençóis
recém-abandonados
Partículas flutuam pela claridade
com maestria
talvez o pó de um antigo império
nessa aguda manhã desafinada
Recolho nossas duas xícaras
o cheiro do café ainda reina absoluto
anúncio de um longo dia.



Praça Roosevelt

Luzes, luzes
Vultos...
deslocado
desloco a mente
desloucamente
Skates riscam o cimento
desenhando mapas astrais
toc toc truque
Órbitas autônomas
Malabares rodopiam nebulosas espirais
Bares lares basilares
O Cão da noite me cheira
sua pelagem oleosa reflete o lume da cidade
e vaga
Solidão mas tudo bem
Cartola e Elis cantam ao pé de meu ouvido
Na mesa o copo de Sol
me canta
Brindamos e o engulo luminoso
Vorazmente




Cáustico

Ontem
Exposto
Vi o meu oposto
Letargia
Na retina de olhos tristes de um Sarau vazio…




Correspondência à Ana C.

Pulei
pulei contigo e
Continuo pulando
também de hora em hora...
o parapeito é uma constante
a palavra tem tutano de elegia
bruxismo, gengiva
sangue
Vez ou outra reconheço o mesmo uivo
Semelhanças no labor da mordedura.




Teatro da rotina

De mãos dadas
descemos a escadaria
cobertos pelo véu em prataria
da noiva chamada Aurora,
desposada, radiante e luxuriosa.
Cobiçoso e solar, seu noivo
beija-lhe o dorso delicadamente
e iniciam, indiferentes aos passantes,
suas núpcias.
Os cães da rua flanam
transbordando ludicidade
ao brincarem como crianças pela cidade,
enquanto os pássaros da boemia
voejam em secreta confraria,
cantam seus planos para a noite que se aproxima.
Sorrimos...
A cancela despenca
como uma claquete de cinema
anunciando a despedida
e o Trem a leva
tarantinamente...
dá-se início ao teatro da rotina.




O poeta Roger Willian

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A Revista POESIA AVULSA é editada e organizada pelo poeta André Merez [+ informações ] 







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