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Mostrando postagens de Maio, 2019

silvana guimarães: 6 poemas de amor & raiva

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Silvana Guimarães, escritora, nasceu em Beagá/MG. Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi socióloga, especialista em transporte público. Participou de algumas coletâneas, entre elas, duas que organizou: 29 de abril: o verso da violência (Patuá, 2015), Dedo de Moça — Uma Antologia das Escritoras Suicidas (Terracota, 2009), Hiperconexões — Realidade Expandida Vol. 2 (Org. Luiz Bras, Patuá, 2014) e 1917-2017 — O Século sem Fim (Org. Marco Aqueiva, Patuá, 2017). Editora da Germina — Revista de Literatura & Arte e do site Escritoras Suicidas. Publica seu primeiro livro de poesia em 2019. Se não chover.


o acrobata para carlos augusto lima
eu sou a mulher barbada do semáforo e você me olha de esguelha com nojo fecha as mãos ao volante com força trinca os dentes aumenta o som e se apavora com o brilho do meu dente aquele de ouro no lugar do que perdi com um soco numa noite de chuva não sou mais o triste fantoche que amava o engolidor de fogo e vivia com o a…

Carolina Maria de Jesus: Quarto de despejo e outros

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Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento-MG, em 14 de março de 1914, filha de negros que migraram para a cidade no início das atividades pecuárias na região. Oriunda de família muito humilde, a autora estudou pouco. No início de 1923, foi matriculada no colégio Allan Kardec – primeira escola espírita do Brasil –, na qual crianças pobres eram mantidas por pessoas influentes da sociedade. Lá estudou por dois anos, sustentada pela Sra. Maria Leite Monteiro de Barros, para quem a mãe de Carolina trabalhava como lavadeira. Mudou-se para São Paulo em 1947, quando a cidade iniciava seu processo de modernização e assistia ao surgimento das primeiras favelas. Carolina e seus três filhos – João José de Jesus, José Carlos de Jesus e Vera Eunice de Jesus Lima – residiram por um bom tempo na favela do Canindé. Sozinha, vivia de catar papéis, ferros e outros materiais recicláveis nas ruas da cidade, vindo desse ofício a sua única fonte de renda. Leitora voraz de livros e de tudo o que lhe caía n…

Sérgio Rocha e a prosa poética

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Paulistano dos altos de Santana, o poeta Sérgio Rocha é um filho de Oxóssi cafeinado até a medula. Cursou filosofia sem arrependimentos. Publicou o livro "Um poema depois da chuva", 2018, Ed. Triver (esgotado). Ministra oficinas de criação literária, além de se virar como revisor e editor.



I
para esquecer-te precisaria mesmo de outra morte mais definitiva, de um rio ainda mais enfurecido que me afogasse para sempre dentro das cenas escolhidas, que me mantivesse incapaz de gesto, vidente destas alucinações enquanto algum dia passasse lá fora e me acenasse um adeus calculadamente gelado; precisaria, ao invés de uma cena qualquer, apenas pedir-te um beijo, e mesmo que eu ficasse pelo caminho, beijar-te simplesmente.


II
Não guardava segredos. Todos os dias a si mesmo contava o quanto a queria. Contava aos espelhos, aos reflexos nos móveis, às frestas das janelas, às réstias de sol pelas mesmas frestas. Cuidava de abrir os potes para que estes também ouvissem seus segredos e espa…

Vladimir Maiakóvski: trombeta-alarma

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Vladimir Maiakovsky nasceu na Geórgia, então Rússia, em 1893. Entrou para a facção bolchevique do Partido Social-Democrático Operário Russo ainda na adolescência, sendo preso várias vezes. Junto com David Burlyuk, Khlebnikov e Kruchonykh, publica o manifesto cubo-futurista intitulado Uma bofetada no gosto do público. Após a Revolução de Outubro, trabalhou na Agência Telegráfica Russa, foi redactor da revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), escreveu teatro, fez inúmeras viagens pelo país, aparecendo diante de vastos auditórios para os quais lia os seus versos. Nuvem de calças, publicado em 1915, foi talvez o seu primeiro grande poema a ser editado. Suicidou-se com um tiro, aos 37 anos de idade, em 14 de Abril de 1930.



DE "V INTERNACIONAL"

Eu
à poesia
só permito uma forma:
concisão,
precisão das fórmulas
matemáticas.
Às parlengas poéticas estou acostumado,
eu ainda falo versos e não fatos.
Porém
se eu falo
"A"
este "a"
é uma trombeta-alarma para a Humanidade.
Se…