Patrícia Lavelle e as armadilhas da palavra

PATRÍCIA LAVELLE é doutora em filosofia pela EHESS-Paris e professora da PUC-Rio, onde atua no programa de pós-graduação em Literatura, cultura e contemporaneidade. Em poesia, publicou Migalhas metacríticas (7Letras, Megamíni, 2017), Bye bye Babel (7Letras, 2018, primeira menção honrosa no Concurso Nacional de Literatura - Prêmio Cidade de Belo Horizonte de 2016). Com Paulo Henriques Britto, organizou O Nervo do poema. Antologia para Orides Fontela (Relicário, 2018), coletânea para a qual também colaborou com novos poemas. Em 2019, contribuiu para a coluna Poesia brasileira do Jornal Rascunho (curadoria da poeta Mariana Ianelli) e para a série de “plaquettes” Vozes versos (curadoria dos poetas Heitor Ferraz e Tarso de Melo). Tem publicado poemas em diversas revistas literárias online e mantém uma coluna de crítica de poesia brasileira contemporânea na revista Pessoa.





Arapuca



I

Poema é pássaro
que pensa



II

Pensamento é pouso
em prosa
no voo do poema


III


Definir enfim:
fazer da palavra
arapuca

(onde
preso
o pássaro
sempre
escapa)






Teia



I

Se defino “ponto”
do ponto de vista
geométrico
faço teia de aranha
capaz de capturar
o mais minúsculo
inseto.



II


Quanto mais cerrada a malha
da armadilha
menor o bicho
capturado



III


Quanto mais largo o laço
maiores bichos
me escapam



IV


Mas se o ponto definido
é a própria armadilha
enredo-me nos fios
desta minha teia



V


E se você quiser fisgar
o sentido assim tecido
precisa desfazer
o casulo construído





Redes



I


A beira do mar informe,
penso seres polimorfos:

peixes tão grandes que são
eles mesmos
redes enormes



II


Pesco,
logos
sou



III


Metáforas
são
e não são
redes


Nelas
as vezes pego
leviatãs
e outras vezes
ouço
sereias



A poeta Patrícia Lavelle


A Revista POESIA AVULSA é editada e organizada pelo poeta André Merez [+ informações ] 




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