hélio oiticica: um pouco de poesia

Hélio Oiticica é um artista experimentalista, inovador e fortemente ligado ao conceito de arte como instrumento de provocação e transformação do estado de coisas. De acordo com o crítico Celso Favareto, “é possível identificar duas fases na obra de Oiticica: uma mais visual, que tem início em 1954 na arte concreta e vai até a formulação dos Bólides, em 1963, e outra sensorial, que segue até 1980.” Para além do conhecido Parangolé e de toda sua obra performática, sua escultura e sua pintura, Oiticica teve uma breve, mas não menos inovadora e instigante, produção poética. Caçados por aí, seguem os três poemas e uma breve coleção de imagens de suas principais obras visuais.



O fiar,

fazer-se (desfazer-se),
a implicação da memória,
lembrança,

o esquecimento ou o não esquecer,
persistência do passado,
futuro,
a violência do agora,
sempre ser,

Oh!

O que? ,
o sempre,
o nada,
o fogo.





O cheiro,

tato novo,
recomeçar dos sentidos,
absorção
lembrança,

Oh!

virá o que
fazer-se-á,
virá a ser
será
punhado de futuro
apreensão.







ÜBER COCA

MANCO CAPAC
          co  ca
          co  ca
                      caco
                      coca

chupa chuspa
coca coca
cacoquear
         caco coca
         COKE AND SYMPATHY
coco cocar
coca coca
         coça coca
         coca coca
coca
cocai
         cainum
               muriaticum
                         ticum coca
                           caco coca 
cocafome
cocacomcola cocasemcola
                        cocacorda
cocagrama
cocaína
cocasorte
edencoca




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o artista Hélio Oiticica












poema caixa 1967





pintura 1955




escultura 1959






parangolé 1964





bandeira-poema 1968






bólide I caixa 18 "homenagem à cara de cavalo 1965






bólide cama 1 1968






pintura (grupo frente) 1956





metaesquema 1958




A Revista POESIA AVULSA é editada e organizada pelo poeta André Merez 

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