Poetas Analfabetos do Sertão do Pajeú

O jornalista e cineasta Jefferson de Souza nos fez o imenso favor de registrar as manifestações poéticas do sertão do Pajeú em uma série de vídeos que tratam dessa poesia que nasce espontaneamente do povo, em estado puro e de pureza necessária. O poeta lá é o agricultor que retira a matéria da poesia da natureza, de sua condição de vida e da condição de seus semelhantes. Importante, grandiosa e essencial nesse lugar de gente chamada de iletrada e analfabeta, a poesia do Sertão do Pajeú é uma espécie de grito de resistência, feito de gente pra gente que tenha ouvidos pra ouvir e coração pra pulsar no ritmo dos versos nascidos com cor de terra e tessitura de vento. 

Os poetas no vídeo abaixo são Leonardo Bastião que cantou "A sombra que me acompanha não é a que me socorre, se eu andar ela anda, se eu correr ela corre e é mais feliz do que eu, não adoece e nem morre"; Pedro Tenório que versifica "Sou poeta abraçando uma viola, eu não vejo doença que me ataque, sou uma bomba acabando com o Iraque, sou o negro Pelé atrás da bola", Dedé Monteiro e sua rapadura com água de quartinha "Pai saía a cuidar da terra alheia, mãe ficava cuidando do almoço e o garoto, peteca no pescoço, conduziu o almoço às dez e meia... como a grana era sempre bem pouquinha, pai temendo aumentar mais a despesa, tinha gosto em comer por sobremesa, rapadura com água de quartinha". 

A direção, o roteiro e a montagem são de Jefferson de Souza, a supervisão de imagens e renderização são de Suany Reis e Claris Massena. Fica aqui, nesta POESIA AVULSA também registrados e amplificados esses versos e essas imagens. Graças ao povo e a quem os enxerga.

André Merez





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A Revista POESIA AVULSA é editada e organizada pelo poeta André Merez 

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