Cinco poemas de Ricardo Aleixo

Ricardo Aleixo nasceu em Belo Horizonte, em 1960. É poeta, músico, artista plástico. Estreou em 1992, com Festim. Desde então publicou livros como IMPOSSÍVEL COMO NUNCA TER TIDO UM ROSTO, MODELOS VIVOS e ANTIBOI. Como performer, já se apresentou na Europa e, mais recentemente, na Flip de 2017.



cine-olho
Um
menino
não.
Era
mais
um
felino,
um
Exu
afelinado
chispando
entre
os
carros
um
ponto
riscado
a
laser
na
noite
de
rua
cheia
para
os
lados
do
Mercado.



uma alegria

jamais minas gerais
vibrou dentro de mim

o rumor de seu invisível mar
e o ouro puro de seu tambor

transatlântico negro
como naquele breve maio

ensolarado de alegrias
quando eu deambulava

pelos becos e ladeiras
de Coimbra e descobri

em meio aos graves portugais
os timbres de pequenas

áfricas utópicas
ali em meio aos portugais



estrondo
[para Maria Esther Maciel]

Naquele entrecho
mais lento dos
dias, aqui, onde,

não importa o
modo como os pés
pisem as folhas

ao caminhar, o
barulho quebradiço
da sombra deles

(espraiada entre
a calçada e as
pedras-escombros

da casa) bem poderia,
se ouvido por
uma detalhista

como você, ser
chamado de troar,
estouro, estrondo.



poética

Aprendi com Valéry
um pouco disto que faço:
“Eu mordo o que posso”
(palavra, carne ou osso)
Me acho
me acabo de vez
me disfarço




Mamãe grande


todas

as águas do mundo são

Dela. fluem

refluem nos ritmos
Dela. tudo que vem.
que revém. todas
as águas
do mundo são
Dela.
fluem refluem
nos ritmos Dela.
tudo que
vem. que revém.
todas as águas
do mundo
são Dela. fluem
refluem
nos ritmos Dela. tudo
que vem.
que revém.




O poeta Ricardo Aleixo



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A Revista POESIA AVULSA é editada e organizada pelo poeta André Merez 








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