Vitor Miranda e o centro de nossas arquiteturas

Vitor Miranda é poeta, autor de quatro livros: Num mar de solidão (Editora Giostri, 2014), Poemas de amor deixados na portaria (e-book Kindle, 2016), A gente não quer voltar pra casa (Kotter editorial, 2016) e  A moça caminha alada sobre as pedras de Paraty ( Editora Desconcertos, 2020). Vitor é letrista da Banda da Portaria e integrante do projeto Margaridáridas, entrevistador e criador do programa Prosa com Poeta. um dos idealizadores do Movimento Neomarginal.


natureza viva

natureza
verde ruiva
quase uiva
alcateia
cadê as uvas
nos teus pés
descalços
quase ruivos
ruiva a vulva
natureza
quase doce
uva verde
quero ver-te
prová-la
é doce
amarga
salgada
tem água
a boca
tenho sede
quase cedo
de beijá-la
num fim
de tarde
quase ruivo
o céu
na sola
dos teus pés
despidos
qual o gosto
dos teus pés
no respiro puro
das folhas
verdes
quase flores
perfumes
pisa o céu
pisa a uva
quase aquarela
ruiva nos tons
sons ruivos
pássaros
e os passos
dos teus pés
quando virão
até mim?





vivemos intensos
sofremos em demasia
morremos num exagero
e viramos poesia



inconsequente madrugada

ratos caminham
comigo
pela calçada

cacos de uma garrafa
estilhaçada
matarão pessoas
na noite passada

tempo inconsequente
na escuridão
da madrugada



fazenda

na fazenda
as moças
e as rendas
cirandas
as crianças
jogando pião
os peões
laçando
os gados
o leite
pingado
num café
os pés
descalços
e os calços
nas mesas
da manhã



plenitude

meio do céu
fica no meio do mar
meio da terra
fica no centro de tudo
eu por completo
namoro sua plenitude

decoro signos
calculo os astros
espero a exatidão do tempo
alinhar nossos chacras
no centro de nossas arquiteturas



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O poeta Vitor Miranda



A Revista POESIA AVULSA é editada e organizada pelo poeta André Merez 




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Comentários

  1. Valeu André! no centro da arquitetura!

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  2. Vitor Miranda tem mostrado ao que veio, tem se mostrado. Com qualidade crescente e envolvente. Traçando um caminho não traçado - envolve com o laço que é traço.

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